Uma reflexão sobre a escrita

Um dia você está sozinho olhando pra tela do computador e pensando profundamente no que escrever. Aí você escolhe meia dúzia de palavras, apaga tudo, começa de novo e assim segue o ciclo. E mais uma vez eu apaguei um monte de coisa para mudar o foco novamente. Muitas das vezes que eu realmente preciso escrever sobre algo, eu me sinto incomodado em como começar. Qual será meu ponto de partida e o que fazer. Algumas vezes eu preciso pesquisar por informações e fico completamente perdido. Então, até organizar tudo de uma forma coerente, lá se foram muitas horas.

Eu gostaria de ser uma pessoa que conseguisse colocar tudo organizadinho em um papel ou em um arquivo no computador, mas meu processo é outro. Geralmente absorvo as ideias todas, depois faço uma mistura de tudo na cabeça e só então passo a escrever. É um processo chato, demorado, mas muitas das vezes funciona. Só é realmente difícil quando eu não tenho um norte, encontrando ele, abraço.

Pra você ter uma ideia, eu fiz meu TCC da faculdade em dois domingos. Acordava bem tarde, assistia ao jogo de futebol na TV Globo e só então me sentava para escrever. O norte já estava encontrado, as ideias prontas, só faltava escrever. Então assim o fiz, e no fim eu tirei 10. Não quero com isso dizer que sou o melhor do mundo, longe disso, mas fiquei bastante feliz com o resultado. Fez valer aquele sonho de infância, de enfim escrever uma revista. Eu gostaria de poder escrever novamente em uma publicação, mas infelizmente esse é um mercado que está morrendo, quase desaparecendo, o que me deixa muito triste.

A bem da verdade, ser um jornalista atualmente é extremamente desgastante. Não quero entrar nos pormenores, mas meu Deus do céu, que fase. Eu acompanho a mídia tradicional e algumas alternativas e muitas das vezes eu só quero chorar. É cada absurdo que me deixa extremamente infeliz. Mas não há muito que eu possa fazer, só me resta observar, meio que de longe, já que a situação já passou do ponto de ruptura. Espero que um dia melhore, mas sinceramente não vejo como.

Escrever é uma grande paixão. É nesse momento que eu entro em contato comigo mesmo e consigo colocar pra fora o que estou sentindo, mesmo que seja um texto mais técnico, por assim dizer. De algum jeito eu deixo minha marca ali, e cara, isso me deixa feliz demais. Muitas das vezes eu sinto como se outra pessoa tivesse escrito no meu lugar. Aí vem aquele pensamento: “caraca, eu que escrevi isso!”. E isso me deixa ainda mais feliz. Sinto que pelo menos uma pequena parte de mim vai continuar viva.

Me arrependo profundamente de algumas coisas e situações que eu já passei por conta do jornalismo, mas levo todas como um aprendizado. Quase como um tapa na cara que diz: “se liga, manezão”. E assim vou levando. Só de conseguir expressar essas ideias de forma razoavelmente coerente já me deixa satisfeito.

Um dia, se Deus quiser, eu vou olhar de novo pra esse texto e relembrar o que estou sentindo nesse momento. Mas quero sentir nostalgia, um sentimento bom, e não uma coisa ruim que corrói a mente e a alma. Neste exato instante está tocando Don’t Fear the Reaper, do Blue Oyster Cult, que é uma baita banda. Então espero que, quando eu ler esse texto de novo no futuro, eu possa ouvir essa canção e lembrar do bom dia que tive, com todas as coisas que tinham que ser feitas, feitas. Mas, ao mesmo tempo, eu me lembro do que já deveria ter sido feito, e assim segue o baile.

Não sei até quando terei forças para escrever, espero que Deus permita por muito tempo. Mas com tudo o que já rolou, só me resta agradecer. Um dia, perto do advento do fim, eu quero olhar pra trás e me sentir realizado. Escrever tem me deixado realizado, espero que assim se mantenha. Se um dia eu tiver filhos, vou mostrar isso pra ele, e espero que ele goste e, principalmente, que consiga entender o que se passa na cabeça do seu velho pai, que mesmo que não tenha feito tudo o que teve vontade na vida, fez o que era possível dentro da sua realidade.

Um cara perdido por aí que faz um monte de coisas e ao mesmo tempo não faz nada.

Um cara perdido por aí que faz um monte de coisas e ao mesmo tempo não faz nada.